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O silêncio do mar

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O silêncio do mar

O verdadeiro luxo é dispor de tempo para navegar, sem estresse, em um navio de cruzeiro

Por Estela Farina

Há um instante em que o som do mundo se dissolve — e o que resta é o mar. Nenhum relógio apressa, nenhum ruído compete. Apenas o balanço suave, o ritmo constante das ondas, o horizonte que se repete sem nunca ser igual. Navegar, afinal, é também reaprender o silêncio. Em tempos em que tudo pede velocidade, o mar convida à pausa. É nele que o luxo reencontra seu significado mais puro: não como ostentação, mas como tempo a dispor. Tempo para pensar, para sentir, para simplesmente existir. Nos dias em alto-mar, a pressa se desfaz como espuma. As horas ganham outro peso e os olhares se tornam mais longos. Cada nascer do Sol parece um pequeno milagre particular. O silêncio do mar não é ausência — é presença. É nesse silêncio que se escuta o essencial: a respiração, o pensamento, o coração que volta a bater no compasso certo. Por isso, tantos viajantes voltam transformados. Porque o mar, silencioso, devolve a medida das coisas. Nos cruzeiros, esse luxo da pausa ganha forma concreta: o ritmo desacelera, o olhar se amplia, o corpo se rende à harmonia. Não há notificações que interrompam o pôr do sol, nem compromissos que substituam o prazer de observar a linha que separa céu e oceano. À mesa, a gastronomia se torna ritual; nos deques, o vento é companhia; e a noite, o mar se torna espelho de estrelas. Viajar em silêncio é também uma arte — a arte de permitir que o mundo entre por outros sentidos. O toque do vento, o cheiro do mar. Um luxo para a alma. Talvez seja essa a maior lição que o mar oferece: entre o barulho das cidades e a pressa dos dias, há sempre um porto possível dentro de nós — um lugar onde o silêncio é vasto, e o tempo, generoso. Desejo a todos, neste novo ano que se inicia, um período de paz, harmonia e prosperidade. E que o mar continue nos ensinando e regenerando.