Roberto Rodrigues vai representar a agricultura brasileira nas negociações ao longo da COP30
Em novembro, ao longo da COP30, em Belém (PA), caberá a um homem representar a agricultura brasileira nas negociações do evento. Ele vai tratar diretamente com lideranças globais e apresentará o modelo produtivo brasileiro em um fórum internacional dedicado ao clima e à segurança alimentar. A ideia é trabalhar em conjunto com entidades do setor para consolidar uma agenda unificada que mostre ao mundo a eficiência e a sustentabilidade do agro nacional.
Este homem é Roberto Rodrigues, figura central na consolidação do agronegócio como pilar econômico do país. Nascido em Cordeirópolis (SP), em 1942, construiu uma trajetória marcada pela atuação acadêmica, no cooperativismo e na formulação de políticas públicas para a agricultura. Engenheiro agrônomo formado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (ESALQ-USP) em 1965, especializou-se em administração rural e se consolidou como referência no setor ao longo de seis décadas.
No meio acadêmico, é professor emérito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), coordena o Centro de Agronegócio da FGV EESP e é doutor honoris causa pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Atuou como professor na Unesp Jaboticabal e integrou conselhos de instituições como Embrapa, Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) e ESALQ. É autor de livros e artigos que discutem economia rural, cooperativismo e agricultura, influenciando gerações de profissionais do campo.
Na vida pública, ocupou o cargo de ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento entre 2003 e 2006. Nesse período, participou da criação de regulamentações para biotecnologia, produtos orgânicos, seguro rural e defesa sanitária, além de iniciativas para expansão do comércio agropecuário brasileiro. Antes, havia sido secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (1993-94). É também um dos idealizadores da Agrishow, feira que se tornou referência mundial em tecnologia agrícola.
Rodrigues sempre esteve ligado ao cooperativismo. Presidiu a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e a Aliança Cooperativa Internacional (ACI), chegando a ser embaixador especial da FAO (Food and Agriculture Organization, da Organização das Nações Unidas) para cooperativas. Essa atuação fortaleceu a organização dos produtores, ampliou a capacidade de negociação do setor e contribuiu para a internacionalização do cooperativismo brasileiro.
Sua contribuição vai além da representação institucional. Como formulador de políticas e articulador entre diferentes cadeias produtivas, Rodrigues ajudou a estruturar a base regulatória que permitiu ao agro brasileiro crescer em competitividade, consolidar práticas modernas de gestão e ampliar sua presença nos mercados globais.
A soma de sua experiência acadêmica, atuação no cooperativismo e passagem pela gestão pública mostra por que Roberto Rodrigues é considerado uma das principais vozes do agronegócio brasileiro. Seu percurso reforça a ligação entre ciência, política e produção no campo, aspectos decisivos para posicionar o Brasil como potência agroalimentar no cenário mundial.