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A nova era da prata

Laura Kim, fundadora da JUST, fala sobre a missão de reposicionar o metal como símbolo de requinte e poder feminino

Por Mario Ciccone

Ainda na adolescência, Laura Kim, 20 anos, encontrou na joalheria um meio de expressão e propósito. Aos 13, iniciou o projeto dentro do negócio da família, a joalheria The Graces, sem imaginar que ali nascia uma trajetória que transformaria sua relação com a prata — metal que ela hoje defende como o símbolo do luxo contemporâneo. À frente da JUST, marca que ela define como “a rebelde sofisticada”, Laura busca ressignificar o valor da prata. Ela aposta na elegância silenciosa: joias que comunicam sucesso e independência sem recorrer à ostentação.

THE PRESIDENT _ Você começou a trabalhar com prata ainda na adolescência. O que te motivou a entrar nesse universo?

Laura Kim – Na época, eu queria criar uma marca de roupas, cheguei a montar um projeto e mostrar para minha mãe. Foi quando ela sugeriu que eu cuidasse da linha de pratas da The Graces. Aceitei o desafio e percebi que me apaixonava por todo o processo — criação, campanha, produção. Percebi que esse era o meu caminho.

Como surgiu a decisão de transformar a JUST em uma marca independente?

Com o tempo, vi que minhas ideias não se encaixavam mais na The Graces, que já era uma marca consolidada. A JUST nasceu desta visão. O maior desafio foi estruturar o branding e consolidar a identidade da marca, que cresceu junto comigo. Trancar a faculdade de administração no Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa) para empreender foi uma decisão drástica.

Como foi isso?

Foi um período difícil, também por questões pessoais, mas transformador. Aproveitei para me dedicar integralmente à marca e cuidar da minha família. Foi um marco de empoderamento — o momento em que assumi minha identidade de empresária e passei a colocar o meu rosto e minhas ideias à frente do negócio. Pretendo, porém, concluir o curso.

A JUST nasceu com o propósito de “reescrever a história da prata”. O que isso significa na prática?

A prata e o ouro passam pelo mesmo processo manual e têm o mesmo valor técnico. Nunca fez sentido para mim que a prata fosse tratada como algo menor. Quando aplicamos design, pedras naturais e conceito, ela deixa de ser uma alternativa mais acessível ao ouro e passa a ser uma joia de valor próprio.

Fale sobre o processo de criação das peças.

Elas são pensadas para serem encaixadas no cotidiano da mulher, com praticidade e versatilidade. Sempre tentamos fazer algo que se complemente com outras joias de outras coleções. O processo de criação é algo demorado. Para lançarmos a coleção, tivemos de passar por um período de seis meses de design e testes. Valorizo muito a qualidade e autenticidade das joias. Quando algo não atende aos meus parâmetros, não tenho medo de recomeçar ou adiar o lançamento.

O público da marca é formado por mulheres em ascensão profissional. Como você enxerga a relação entre estilo e independência feminina?

A mulher de hoje comunica sucesso com sutileza. Ela não precisa de ostentação, e sim de autenticidade. As joias da JUST representam essa elegância silenciosa — a independência de poder escolher o que usar como algo que reflete suas conquistas.

E o que vem pela frente para a JUST?

Quero consolidar a marca como referência em prata de alta qualidade e em luxo contemporâneo. Assim como a Tiffany fez, acredito que a JUST pode transformar a percepção do público. A prata é o metal do agora — elegante, versátil e com uma força simbólica que representa a mulher moderna.