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Toda grande história pede para ser contada

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Toda grande história pede para ser contada

Love Story: A Casa de Todas as Casas, uma biografia não autorizada escrita pelos jornalistas Katia Simões e Roberto Prioste

Por Amélia Whitaker

Algumas histórias são grandes demais para caber apenas na memória de quem viveu. Elas pedem livro. Pedem tela. Pedem novas camadas de leitura. A Love Story é uma delas.

Por mais de duas décadas, a boate foi um dos espaços mais intensos, contraditórios e fascinantes da noite paulistana. Um território onde fama e anonimato se misturavam, onde o desejo dispensava explicações e onde São Paulo revelava a face crua e livre da própria identidade. Essa trajetória ganha forma no livro Love Story: A Casa de Todas as Casas, uma biografia não autorizada com fôlego de obra cultural e vocação para atravessar formatos.

Escrito pelos jornalistas Katia Simões e Roberto Prioste, o livro não tenta organizar o caos. Faz o oposto, mergulha nele. A partir de mais de 25 horas de depoimentos, reconstrói a Love Story como fenômeno social, comportamental e urbano. Não há versão oficial nem tentativa de higienização moral. O que existe é material narrativo direto, reconhecível por quem desenvolve cinema e streaming.

A Love Story se apresenta como cenário ideal. Centro da cidade, personagens improváveis, pactos silenciosos, noites sem roteiro que terminam em histórias raramente contadas em público. Artistas, empresários, chefs, jornalistas, figuras internacionais e anônimos dividem o mesmo espaço, sem hierarquias. Um ecossistema dramático pronto para novas leituras.

O livro revela episódios de força cinematográfica. Celebridades que passaram despercebidas, figuras internacionais protegidas por um acordo tácito de discrição, histórias ausentes das colunas sociais porque ali vigorava uma regra simples, o que acontece na Love Story, fica na Love Story.

Love Story: A Casa de Todas as Casas também provoca uma conversa sobre o futuro. Em um momento em que narrativas reais, densas e culturalmente localizadas se tornaram ativos disputados do entretenimento global, a obra surge como ponto de partida para desdobramentos possíveis. Minissérie, documentário, projeto audiovisual ou plataforma cultural sobre uma São Paulo que já não existe, mas segue despertando fascínio.

Algumas marcas nascem para vender produtos. Outras nascem para virar história. A Love Story sempre pertenceu ao segundo grupo. Agora, alguém decidiu contar.