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entrevista

Diretora de Marcas do Grupo Matriz, Débora Torquato fala sobre o que sustenta uma marca

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Diretora de Marcas do Grupo Matriz, Débora Torquato fala sobre o que sustenta uma marca

Uma conversa sobre estratégia, operação e como alcançar resultados com Débora Torquato

Por Redação

Foto de Nicolas Siegmann

Estratégia sem perder a prática. É assim que Débora Torquato conduz o Grupo Matriz, responsável pelas marcas estudiobola e Fitz. Há 17 anos no universo da arquitetura e do design, construiu um caminho que foge do roteiro tradicional e a levou da base à direção. Formada em Marketing e Arquitetura, atualmente cursa pós-graduação em Administração de Empresas e especialização em Business Design. Para ela, a construção de marca parte de uma lógica: “Marketing é essencial, mas marca organiza visão, produto, experiência, negócio e resultado.”

THE PRESIDENT_ Em que momento você entendeu que seu caminho na arquitetura não seria o tradicional?

Trabalho desde muito cedo e, no segmento de arquitetura, design e mobiliário, estou há cerca de 17 anos. Comecei como estagiária de arquitetura, tentei ter escritório próprio, mas rapidamente entendi que o que me interessava não era a rotina tradicional de projetos, e sim o impacto da arquitetura e seu propósito.
Minha entrada no mobiliário aconteceu quando comecei a atuar em uma grande marca como vendedora. Foi ali que tudo fez sentido: percebi que era possível unir arquitetura, design, produto e negócio de forma concreta. Ao longo dos anos, passei por diversas áreas, entendendo o funcionamento do negócio por dentro, até chegar à direção. Ter vivido essa base sustenta a forma como tomo decisões hoje.

O que significa ser o eixo central de uma marca dentro de um grupo?

Ouvi recentemente de um dos sócios que meu papel se assemelha ao de um maestro em sua orquestra, e gosto dessa imagem porque, no fim do dia, meu trabalho é garantir harmonia entre as áreas.
Mas, de forma objetiva, sempre faço questão de diferenciar marca de marketing. Marketing é essencial, mas marca organiza visão, produto, experiência, negócio e resultado. Minha atuação é transversal: participo desde a concepção até decisões sobre produto, comunicação, distribuição, expansão e modelo de negócio, sempre avaliando impacto real em crescimento, faturamento e sustentabilidade.

O que realmente envolve liderar duas marcas em estágios tão diferentes de maturidade?

Na prática, é muito menos glamour do que parece. São muitas decisões diárias, equilíbrio entre prazos, expectativas, reputação e propósito.
Hoje atuo como Diretora de arcas do grupo Matriz, à frente do estudiobola e da Fitz, que vivem momentos distintos. O estudiobola é uma marca consolidada, reconhecida, que exige cuidado, coerência e evolução constante. Já a Fitz nasceu do zero. Foram dois anos de planejamento, pesquisa e construção de conceito, posicionamento, produto, linguagem, estrutura e estratégia.
Em ambos os casos, meu papel é garantir que as marcas tenham clareza de propósito e que isso seja percebido dentro e fora da empresa.

Qual é a responsabilidade de liderar duas marcas relevantes para o design e como isso se traduz em impacto real?

Eu entendo essa responsabilidade em camadas. A primeira é interna. Liderar duas marcas exige criar direção clara, cultura consistente e ambiente de crescimento para as equipes. O impacto começa dentro: nas pessoas que evoluem junto com o grupo, que entendem propósito, estratégia e qualidade como premissas do trabalho. Sem estrutura e sem time alinhado, não existe marca sólida.
A segunda camada é setorial. Quando você está à frente de marcas relevantes, suas decisões influenciam discurso, posicionamento e até comportamento de mercado. Existe uma responsabilidade em reforçar o papel do morar e do viver bem como elementos transformadores de vida.
E há uma terceira camada, que é ampliar acesso e repertório. Não se trata apenas de vender produto, mas de compartilhar visão, conteúdo e informação. Design e estilo de vida vão além do objeto. Eles moldam percepção, escolhas e a forma como as pessoas se relacionam com seus espaços.
No fim, impacto real é quando o que você constrói dentro da empresa reverbera de maneira consistente no mercado e na vida das pessoas.

De onde vêm as suas referências quando você pensa em marca e negócio?

Minhas referências vêm muito da observação de movimentos. Gosto de olhar para negócios como sistemas vivos, que estão sempre em transformação. Por isso, busco repertório fora do design. A moda, por exemplo, tem uma velocidade e uma leitura de comportamento muito refinadas. O cinema constrói narrativa e atmosfera como poucas indústrias conseguem. A literatura organiza pensamento e profundidade. A música traduz tempo e sensibilidade cultural. E até a astronomia me interessa porque traz perspectiva — escala, tempo, expansão.
Essas referências ampliam meu olhar. Elas me ajudam a entender comportamento, desejo, ciclos e contexto. Marca não nasce isolada, ela responde a um momento cultural.
Mas nada disso é contemplativo. O que realmente me interessa é transformar referência em decisão prática. Conectar ideia com indústria, repertório com produto, visão com operação. No fim, marca só existe de verdade quando o que ela comunica faz sentido na fábrica, no produto, na loja e na vida real das pessoas.