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entrevista

Especialista em IA, Fernando Godoy projeta futuro das tecnologias imersivas na economia digital

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Especialista em IA, Fernando Godoy projeta futuro das tecnologias imersivas na economia digital

Com mais de 30 anos de experiência em inovação, tecnologia e desenvolvimento de negócios, Fernando Godoy será um dos palestrantes do Digitalks 2025

Por Redação

Fernando Godoy é especialista em tecnologia, fundador da Flex Interativa — empresa pioneira em realidade aumentada — e head de IA da dataRain. Com mais de 30 anos de experiência em inovação, tecnologia e desenvolvimento de negócios, será um dos palestrantes do Digitalks 2025, o maior hub de negócios, tendências e inovação da América Latina, debatendo sobre inteligência artificial e os próximos passos da ferramenta.

Em entrevista à The President, Fernando Godoy falou, entre outras coisas, sobre gamificação e o futuro das tecnologias imersivas, além de dar conselhos para startups que estão começando no desenvolvimento de produtos ou serviços baseados em tecnologias emergentes.

Fundador da Flex Interativa e head de IA da dataRain, Fernando Godoy será um dos palestrantes do Digitalks 2025 (Foto: Reprodução/Instagram)

THE PRESIDENT _ Sendo pioneiro em realidade aumentada com a Flex Interativa, como você enxerga a evolução e o potencial futuro das tecnologias imersivas para além do marketing, impactando outros setores da economia digital?

Fernando Godoy – A evolução das tecnologias imersivas vai muito além das campanhas de marketing. Já vemos realidade aumentada e virtual transformando setores como educação, saúde, indústria e varejo. No treinamento corporativo, por exemplo, a imersão permite simulações de situações reais sem risco, acelerando o aprendizado e a retenção. Na medicina, cirurgias podem ser treinadas em ambientes virtuais antes de serem realizadas em pacientes. No varejo, experiências imersivas aumentam a confiança na compra online. A tendência é que, com a redução do custo dos dispositivos e a popularização das plataformas, a imersão se torne parte do cotidiano das empresas, integrando-se a processos internos, operações, vendas e até no relacionamento com o cliente. O potencial está em tornar dados, conhecimento e interação cada vez mais naturais e acessíveis.

De que maneira a gamificação pode ser aplicada para impulsionar a inovação e o engajamento dentro das empresas, não apenas em eventos, mas no dia a dia corporativo?

FG – A gamificação é uma ferramenta poderosa para transformar comportamentos e gerar engajamento contínuo. No ambiente corporativo, ela pode ser aplicada para incentivar a adoção de novas tecnologias, estimular a colaboração entre equipes, fomentar a inovação aberta e até no desenvolvimento de lideranças. Programas de reconhecimento por desafios cumpridos, sistemas de pontos por participação em projetos ou sugestões inovadoras e trilhas de aprendizado interativas são exemplos de como a gamificação pode tornar o dia a dia mais motivador. O segredo está em criar dinâmicas alinhadas aos objetivos estratégicos da empresa e mensurar resultados, mostrando o valor de pequenas conquistas para o todo.

Como a sua experiência em tecnologia pode auxiliar empreendedores a identificar as “próximas grandes tendências” e a se posicionar para capitalizar sobre elas, evitando o risco de investir em tecnologias efêmeras?

FG – Minha trajetória me ensinou que tecnologia não é fim, é meio. Para identificar tendências que vão prosperar, é fundamental olhar para as dores reais do mercado e para os movimentos de longo prazo — como inteligência artificial, automação e experiências imersivas. Recomendo aos empreendedores buscar referências globais, testar rápido e ouvir os clientes constantemente. Antes de apostar alto em uma tecnologia, valide hipóteses em pequena escala, analise indicadores de adoção e procure por sinais de que a tecnologia resolve um problema significativo. O segredo é equilibrar ousadia com pragmatismo, evitando modismos passageiros e focando no que realmente agrega valor ao negócio.

Considerando a presença de especialistas de diversos países no Palco Mundo, quais são as principais diferenças e semelhanças que você percebe na adoção e desenvolvimento de tecnologias digitais entre o Brasil e outros mercados globais?

FG – O Brasil tem uma criatividade e uma capacidade de adaptação incríveis, muitas vezes impulsionadas pela necessidade de superar desafios estruturais. Enquanto mercados maduros priorizam a escalabilidade e a robustez das soluções, aqui vemos muita experimentação, uso criativo de recursos e adaptação rápida a novos contextos. Por outro lado, ainda há barreiras em acesso a capital e infraestrutura, o que exige soluções mais enxutas e colaborativas. Mas, no geral, a busca por inovação e o desejo de transformar setores tradicionais são características que unem profissionais do mundo todo. No Digitalks, essa troca global de experiências só reforça o quanto podemos aprender uns com os outros para acelerar o desenvolvimento digital.

Para startups que estão começando no desenvolvimento de produtos ou serviços baseados em tecnologias emergentes, qual a importância de testar rapidamente, e como minimizar os custos e riscos nesse processo inicial?

FG – Testar rapidamente é essencial para não desperdiçar tempo e recursos em soluções que não resolvem problemas reais. O conceito de MVP (Produto Mínimo Viável) é fundamental: entregue algo simples, mas funcional, colete feedback e ajuste a rota rapidamente. Use plataformas de baixo custo, automação e até IA generativa para prototipar ideias sem grandes investimentos. Outra dica é buscar parcerias estratégicas e estar próximo do cliente desde o início. Assim, além de validar a proposta de valor, é possível identificar melhorias e reduzir riscos. O erro faz parte do processo, mas ele precisa ser rápido, barato e sempre trazer aprendizado.