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Como evitar a ressaca no Carnaval? Endocrinologista e hepatologista ensinam

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Como evitar a ressaca no Carnaval? Endocrinologista e hepatologista ensinam

Entenda como o álcool afeta o corpo e quais medidas podem reduzir os sintomas da ressaca

Por Redação

Dor de cabeça, náusea, fadiga e desidratação são efeitos comuns após o consumo excessivo de álcool. A ressaca é resultado da sobrecarga metabólica provocada pelo etanol e pelo esforço do organismo para eliminá-lo.

Segundo a Dra. Paula Pires, endocrinologista e metabologista da SBEM, diz que o fígado é o principal órgão envolvido nesse processo. “A ressaca acontece porque o organismo precisa se desdobrar para absorver e metabolizar grandes quantidades de álcool. Nesse processo, o fígado é o órgão mais exigido, já que produz as enzimas responsáveis pela metabolização do etanol. O excesso gera um desequilíbrio importante, afetando também o sistema nervoso”, explica.

Mesmo após a eliminação do álcool da corrente sanguínea, os efeitos persistem. De acordo com a médica, a atividade das enzimas envolvidas na metabolização permanece elevada, o que contribui para sintomas como dor de cabeça, náuseas, diarreia, desidratação e cansaço.

Dra. Paula Pires, endocrinologista e metabologista da SBEM.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define como dose padrão cerca de 10 a 12 gramas de álcool puro — o equivalente a uma lata de cerveja, uma taça de vinho ou uma dose de destilado. A composição da bebida também influencia os sintomas. “Bebidas como uísque, vinho tinto, tequila e conhaque costumam causar ressacas mais intensas do que cerveja ou bebidas claras, como vodca e gim.” Isso não significa que elas não provoquem ressaca, mas o impacto costuma ser diferente”, afirma.

Quando a ressaca merece atenção

A hepatologista Dra. Patrícia Almeida, doutora pela USP e membro da Sociedade Brasileira de Hepatologia, destaca que o álcool tem efeito diurético, altera eletrólitos e, durante sua metabolização, gera acetaldeído, substância tóxica associada a parte dos sintomas. “O álcool tem efeito diurético, provoca desidratação, altera eletrólitos e, durante sua metabolização, gera o acetaldeído, uma substância tóxica responsável por sintomas como náuseas, sudorese e aceleração dos batimentos cardíacos”, explica.

Dra. Patricia Almeida, doutora pela USP e membro da Sociedade Brasileira de Hepatologia.

Ela acrescenta que o álcool irrita o estômago e o intestino, interfere na liberação de glicose pelo fígado e compromete o sono. “O sono também é afetado. Embora o álcool induza o adormecer, ele compromete a qualidade do descanso, resultando em mais cansaço no dia seguinte”, completa.

Não há medicamento capaz de eliminar a ressaca. “Banho frio, café forte, chás milagrosos ou produtos com cheiro intenso não resolvem. O essencial é hidratação, consumo de carboidratos e repouso. Na maioria dos casos, a ressaca melhora ao longo do dia”, afirma Dra. Paula.

A Dra. Patrícia orienta atenção a sinais como olhos amarelados, urina escura, dor abdominal intensa ou vômitos persistentes, que podem indicar complicações hepáticas. “Beba com moderação, intercale o álcool com água, alimente-se antes e durante a festa e respeite seus limites.” Se exagerar, dê tempo para o corpo se recuperar e procure ajuda médica se os sintomas persistirem”, orienta.

Antes e depois do excesso

Antes

Hidrate-se bem nos dias anteriores, com água e sucos naturais (2 a 3 litros por dia). Evite frituras e alimentos muito gordurosos, dando preferência a carnes magras. Pratique atividade física, especialmente aeróbica, para melhorar a resistência física durante a folia.

Durante

Durante, hidrate-se constantemente, já que o suor e o álcool aumentam a perda de líquidos e eletrólitos. Não beba em jejum e consuma alimentos leves ao longo do dia. Evite frituras, que aumentam o desconforto gástrico e a sensação de moleza.

Depois

Se exagerou, o corpo pede descanso: repouso é essencial. Água, sucos e líquidos ao longo do dia ajudam a reduzir o tempo de recuperação. Prefira refeições leves, frutas, verduras, sopas e caldos, evitando alimentos gordurosos.