Entre dados e decisões, a inteligência que transforma o setor ainda é a humana
Colaboração de Marcos Rodrigues*, CEO da Jamef, empresa referência em transporte no Brasil
O transporte rodoviário brasileiro vive um momento em que eficiência operacional não depende apenas de tecnologia, mas principalmente de pessoas capazes de interpretar dados, tomar decisões certas e sustentar a segurança da operação. Em um setor pressionado por prazos, regulatórios e custos, a combinação entre inteligência humana e sistemas avançados deixou de ser tendência para se tornar condição para competir.
Gestão de pessoas como fator de estabilidade operacional
Os últimos anos trouxeram dois movimentos simultâneos: alta rotatividade e redução do número de motoristas habilitados no país. Segundo o Senatran, o volume de pessoas autorizadas a dirigir caminhões caiu 62,89% na última década, criando um déficit que impacta diretamente a qualidade das entregas. Nesse contexto, tratar a gestão de pessoas como prioridade estratégica e não como benevolência, tornou-se diferencial competitivo. Profissionais que se sentem ouvidos, valorizados e preparados permanecem mais tempo nas empresas, dirigem com mais atenção, reduzem incidentes e representam a marca com mais segurança. Na Jamef, por exemplo, programas de capacitação incluem habilidades socioemocionais, comunicação, tomada de decisão e empatia, além da qualificação técnica. O resultado é concreto: redução de acidentes, menor rotatividade e aumento da previsibilidade operacional. Esses ganhos não aparecem apenas nas planilhas, surgem principalmente no comportamento diário das equipes e na confiança construída com clientes.
Tecnologia aplicada à segurança
A digitalização trouxe novas camadas de precisão para o transporte, e o maior valor está em ampliar a capacidade de decisão das pessoas. Na Jamef, telemetria, rastreamento e modelos de inteligência artificial são usados para antecipar riscos e orientar intervenções mais assertivas. Um dos exemplos mais claros é o monitoramento de fadiga. As análises preditivas identificam sinais de cansaço durante a madrugada, permitindo ajustes imediatos, como pausas orientadas ou mudanças de rota. Esse processo resultou em uma redução de 3% nas infrações noturnas no período analisado, mostrando como dados bem interpretados elevam a segurança e a regularidade da operação. No fim, tecnologia aplicada com propósito gera exatamente o que o setor mais precisa: menos riscos e custos e mais estabilidade para toda a cadeia. Impactos da gestão de pessoas na percepção de mercado Cuidar das pessoas reverbera muito além da operação. Empresas que tratam trabalhadores como protagonistas, e não como peças substituíveis, atraem talentos, ampliam fidelização e se posicionam melhor em cadeias de suprimentos que valorizam responsabilidade social.
Segundo o relatório ESG Trends 2025 da PwC, 83% dos investidores afirmam que aspectos sociais, como bem-estar e segurança, influenciam diretamente decisões de investimento. No transporte, isso significa que práticas de gestão humanizada não são apenas corretas do ponto de vista ético, são estratégicas para manter a competitividade. Modelo de liderança orientado por dados e responsabilidade humana Assim, o futuro do setor não será definido apenas por caminhões conectados, sensores inteligentes e algoritmos avançados. Será definido pela capacidade das empresas de equilibrar tecnologia e humanidade, entendendo que por trás de cada entrega existem pessoas com responsabilidades, limitações, motivações e orgulho. Lideranças que combinam dados com sensibilidade, tecnologia com escuta ativa e automação com propósito, construirão as operações mais resilientes dos próximos anos. A equação é clara e não se copia facilmente: pessoa + tecnologia = diferencial estratégico. Esse é o caminho para um transporte mais moderno, seguro e humano, e o único modelo capaz de gerar eficiência sustentável em um setor que muda rápido e exige maturidade.