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entrevista

Maria Toledo apresenta a Z.Creators

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Maria Toledo apresenta a Z.Creators

Executiva fala sobre licenciamento, parcerias com artistas e expansão no mercado brasileiro

Por Redação

Foto: Maria Toledo/Divulgação

Maria Toledo liderou o Grupo Arezzo&Co por mais de uma década e agora inicia um novo ciclo como fundadora da Z.Creators, empresa dedicada a licenciamento e à conexão entre marcas, artistas e IPs globais. Em entrevista, ela detalha como transforma criatividade em estratégia de negócio e os desafios de adaptar ícones internacionais, como a Smiley, ao mercado brasileiro.

Maria Toledo liderou o Grupo Arezzo&Co por mais de uma década.

THE PRESIDENT _ Após mais de 13 anos de liderança no Grupo Arezzo&Co e uma carreira consolidada na indústria da moda, o que motivou sua decisão de iniciar um novo ciclo à frente da Z.Creators?

Maria Toledo – Eu amo moda e continuo no mercado por meio da minha posição de CMO na PatBo. A criação da Z.Creators é um pensamento de longo prazo e legado. Acredito no poder do licenciamento para potencializar o que cada marca tem como fortaleza fazendo desta junção algo maior com geração de valor para ambas.  Além disso, uso minha criatividade, antes focada no universo da moda, em outras indústrias, como, por exemplo, a de bens de consumo e beleza. Conhecer novos mercados e profissionais é um estímulo extra que consigo por meio da Z.Creators.

Você costuma dizer que enxerga o licenciamento “além do óbvio”. O que significa essa visão na prática — e como ela transforma a relação entre marcas e artistas?

MT – O licenciamento vai além de imprimir um personagem/IP numa camiseta ou produto. Por meio deste negócio, com a estratégia certa, uma marca brasileira pode ganhar visibilidade internacional, expandir sua ocasião de uso dentro de novos segmentos como moda praia e fitness de uma forma mais rápida. Usando um IP como Smiley, uma marca de moda mais tradicional começa uma conversa com a GenZ que ama este IP.

Como a Z.Creators vem atuando para construir pontes entre IPs globais, artistas e o mercado brasileiro, promovendo conexões autênticas e culturalmente relevantes?

MT – Conhecendo as dores da marca, conseguimos segmentar e clusterizar qual IP vamos usar e como. Se será mais GenZ, mais cool ou mais sofisticado, olhando para o mercado premium. Uma forma interessante é por meio da estratégia de “mash-up”, unindo o IP, um artista e a marca. Neste formato, o artista cria um design e narrativa da sua arte dentro do universo do nosso IP para a marca em questão. Juntamos forças e criatividade, potencializando a parceria.

A marca SMILEY é um ícone global de lifestyle. Quais têm sido os maiores aprendizados e desafios em adaptar essa identidade vibrante e pop para o público brasileiro?

MT – O mundo inteiro conhece a Smiley e de alguma forma já se relacionou com ela. Entendemos a diferença entre a força comercial que os IPs da Disney, por exemplo, que estão nas telas dos cinemas no mercado de massa é muito forte e que IP’s como  a Smiley posicionam e criam comunidade. O mercado do massive market pode ter os dois, cada um com um objetivo. Já o mercado mais premium, consegue ter o IP porém com uma abordagem mais criativa, mas fazendo uso do conhecimento/ awareness que o IP tem. Já a indústria é um excelente mercado, pois não tendo marca forte, precisam muito dos IP’s para entrar nos mercados específicos que se propõem.

A parceria exclusiva com o Seminal Artist Group coloca a arte no centro das estratégias de marca. De que forma a estética e a autenticidade artística podem gerar valor para empresas e consumidores?

MT – A estética e a autenticidade artística têm o poder de transformar a forma como marcas e pessoas se relacionam. Quando uma empresa se conecta à arte de maneira genuína, ela não apenas comunica um produto, mas expressa um ponto de vista, um sentimento, uma identidade. Isso gera valor simbólico e emocional, fortalecendo a marca de forma duradoura.
Para o consumidor, essa autenticidade se traduz em propósito e pertencimento – ele reconhece verdade naquilo que consome. E, em um mundo saturado de mensagens comerciais, essa verdade é o que diferencia, inspira e cria conexões reais.

No Lado Z, você propõe uma abordagem crítica e responsável sobre moda, beleza e bem-estar. Como essa curadoria dialoga com o seu papel executivo e com a agenda sustentável que você defende?

MT – Está tudo conectado. Eu criei o Lado Z para abrir estas conversas que eu apoio na Aya e uso no meu dia a dia de executiva. O Lado Z me aproxima dos executivos, criativos e empreendedores que possuem pensamento crítico em relação ao mercado. Ouvi-los me ajuda a entender quais as melhores estratégias que devem ser difundidas e compartilhadas com todos que assistem. Estar na Aya me provoca a criar um olhar responsável cada vez mais apurado na minha vida como um todo sob o ponto de vista de impacto social e ambiental. Hoje, como CMO da PatBo, eu tenho conversado muito com a Patrícia Bonaldi sobre potencializar o instituto de apoio às bordadeiras em Uberlândia, que é um projeto lindo criado para formar profissionais. 

Como embaixadora do AYA Earth Partners, de que maneira você enxerga a moda — e o licenciamento — contribuindo para uma economia regenerativa e carbono zero?

MT – Conscientizando os profissionais. Quando você faz as perguntas certas, provoca essa agenda no dia a dia deles, você começa a mover o ponteiro. É por meio das grandes marcas e empresas que conseguimos mudar comportamento e impacto e isso vem com a conscientização da alta liderança.

O que podemos esperar da próxima fase da Z Creators e da sua própria trajetória profissional? Há novos movimentos ou parcerias que já sinalizem os rumos desse futuro criativo e sustentável?

MT – A próxima fase da Z.Creators é sobre expansão e propósito. Vamos potencializar a área de talentos, conectando novos nomes a projetos que unam impacto cultural e relevância de marca. Também estamos ampliando nossa atuação para o universo da música e dos festivais, espaços que refletem o espírito do nosso tempo e onde queremos construir comunidades vivas e colaborativas para nossos parceiros. Para além de criar campanhas, queremos movimentar conversas, unir criatividade, negócios e consciência e continuar posicionando a Z.Creators como um hub onde arte, marcas e propósito caminham juntos.