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O corpo como bússola: por que o futuro do bem-estar é cíclico

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O corpo como bússola: por que o futuro do bem-estar é cíclico

Por muito tempo, aprendemos a tratar o corpo como uma máquina, algo a ser controlado, moldado e otimizado

Por Amélia Whitaker

Fotos de Divulgação

Por muito tempo, aprendemos a tratar o corpo como uma máquina, algo a ser controlado, moldado e otimizado. Mas há um movimento silencioso, quase intuitivo, que começa a inverter essa lógica. O corpo volta a ser bússola. O bem-estar, antes medido em resultados, passa a ser medido em ritmo.

De retiros espirituais no México a clínicas holísticas na Europa, cresce a ideia de que a saúde verdadeira vem da regeneração, não da performance. É o retorno ao corpo natural, cíclico, capaz de conduzir seus próprios processos de cura quando recebe o que mais lhe falta: tempo, toque e escuta.

No Brasil, um dos lugares que traduz essa nova consciência é o Shambhala Spa, em Paraty. Instalado em um casarão histórico cercado de verde, dentro do Quadrado Mágico, o spa foi criado em 2008 por Hans Neus, idealizador do Shambhala e responsável por trazer para Paraty a visão dos spas holísticos asiáticos após viver cinco anos em Cingapura, período em que teve contato direto com tradições terapêuticas de Índia, China, Tailândia e Indonésia. O objetivo é restaurar o equilíbrio entre corpo, mente e espírito.

No Shambhala Spa, o toque e o tempo se tornam aliados da inteligência natural do corpo. Foto de divulgação

Hans explica que no Shambhala cada pessoa é tratada como um organismo em fluxo contínuo, com necessidades que mudam conforme seu próprio ciclo interno, e não como um problema a ser resolvido. O toque, a natureza e o silêncio fazem parte do mesmo processo de cura.

O menu de terapias inclui massagens Balinesa, Javanesa, Tibetana, Thai Tradicional e Ayurvédica, reflexologia, ventosaterapia, banhos aromáticos e rituais que combinam massagens com diversas terapias e banhos. Cada protocolo segue um fluxo pensado para respeitar o tempo do corpo, aquecer, soltar, repousar e regenerar. Nada é apressado. Tudo é presença.

Essa visão está alinhada com o movimento global do wellness cíclico, que entende o corpo como organismo em constante renovação, e não como estrutura a ser corrigida. É o bem-estar visto como fluxo, um caminho de ida e volta entre força e entrega, tensão e descanso, ação e pausa.

No Shambhala Spa, o toque e o tempo se tornam aliados da inteligência natural do corpo. E é ali, entre o som da água e o aroma das ervas, que se revela o verdadeiro sentido de regenerar: voltar a si para depois recomeçar.