Por que a proteína deixou de ser nicho fitness e virou negócio estratégico?
Por Amélia Whitaker
Durante anos, o mercado de snacks proteicos orbitou um território bastante específico: academias, lojas especializadas, atletas e consumidores altamente engajados em performance física. A proteína era um ativo funcional, quase técnico, associado à hipertrofia e ao pós treino. Mas esse cenário mudou, e a mudança não é apenas nutricional, é econômica.
Hoje, a proteína começa a ocupar um novo espaço dentro do mercado de alimentos, o de nutriente essencial para o cotidiano, integrado à rotina de profissionais, executivos e consumidores que buscam energia estável, saciedade e praticidade em meio a agendas cada vez mais densas. Esse deslocamento de percepção vem redesenhando o mercado de snacks saudáveis no Brasil e abrindo uma avenida relevante para marcas, investidores e empresas de foodtech.
Do ponto de vista de consumo, a lógica é clara. O brasileiro passa mais tempo fora de casa, faz refeições fragmentadas e busca soluções rápidas que não comprometam saúde nem produtividade. Snacks deixam de ser indulgência ou “quebra galho” e passam a assumir um papel funcional entre refeições, o que eleva o tíquete médio, a recorrência de compra e o valor percebido do produto.
Nesse contexto, a proteína ganha protagonismo não como suplemento, mas como elemento estruturante da alimentação moderna. Estudos e práticas de saúde vêm reforçando seu papel na manutenção de tecidos, na produção hormonal, no suporte imunológico e na regulação da saciedade, fatores diretamente ligados à disposição física e mental ao longo do dia. Para um público executivo, isso se traduz em foco, energia mais estável e menor dependência de estímulos rápidos como açúcar e cafeína em excesso.
O reflexo dessa mudança aparece no crescimento e na sofisticação do mercado de snacks proteicos. Se antes o setor era dominado por produtos com linguagem técnica, texturas pouco amigáveis e foco exclusivo em performance, hoje há uma demanda crescente por alimentos que conciliem valor nutricional, experiência sensorial e posicionamento de marca. Não se trata apenas de entregar proteína, mas de construir produtos que façam sentido dentro da vida real do consumidor.
É nesse novo desenho que marcas como a Bendu se posicionam. Fundada no interior de São Paulo, a empresa aposta em uma abordagem menos radical e mais integrada à rotina contemporânea, entendendo saúde como consistência, não como exceção. Sua linha Soft Bar, por exemplo, reflete esse movimento ao oferecer um snack proteico pensado para o dia a dia, com 12 g de proteína por unidade, textura suave e formulação sem gomas ou xaropes artificiais, comuns no segmento.
Do ponto de vista de negócio, esse tipo de inovação amplia significativamente o mercado endereçável. Ao abandonar a comunicação restrita ao universo fitness, o produto passa a dialogar com profissionais, empreendedores, executivos e consumidores urbanos que talvez nunca se vissem como público de um snack proteico. Trata se de uma expansão de categoria que transforma um nicho em plataforma de crescimento.
Outro ponto relevante é a mudança no discurso. Marcas que prosperam nesse novo cenário são aquelas que abandonam a retórica punitiva da alimentação, baseada em culpa, restrição e performance extrema, e adotam uma narrativa de equilíbrio, prazer e funcionalidade. Isso gera maior fidelização, recorrência e construção de marca no longo prazo, aspectos cada vez mais valorizados por investidores e líderes empresariais.
O mercado brasileiro de snacks saudáveis ainda está em fase de consolidação, mas já apresenta sinais claros de amadurecimento. O consumidor está mais informado, mais exigente e menos disposto a abrir mão de sabor ou experiência em nome da saúde. Para empresas do setor, o desafio deixa de ser apenas formular bem e passa a ser entender comportamento, rotina e contexto de consumo.
No fim, a proteína deixa de ser apenas um ingrediente e passa a ser um símbolo de uma nova relação entre alimentação, produtividade e bem estar. Para o mercado, isso representa não apenas uma tendência, mas uma oportunidade concreta de crescimento sustentável, ancorada em produtos que acompanham a vida como ela é, e não como ela deveria ser.