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­Você está prompt?

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­Você está prompt?

Estamos vivendo um período de expansão dos horizontes, que não tem fronteiras

Por Messina Neto

Você está prompt? Leia-se o ponto de partida em qualquer interação com a inteligência artificial. Gosto desse jogo de palavras e do conceito, que se mostrou acertado, pois, quanto melhor o prompt, mais próximos estamos de conseguir resultados surpreendentes. Esta é uma chave de acesso e de sucesso no trabalho de cocriação com a IA. Depois de colocar o ser humano no centro do processo, é importante fazer uma varredura do que estamos vendo acontecer com o impacto da IA em nossas vidas, em nosso dia a dia, no entretenimento, na cultura, no mundo. A IA é um colaborador silencioso. Capaz de gerar imagens, sons, composições, roteiros, simulações e atmosferas em segundos, auxiliando na tomada final de decisão, que é do artista que está por trás da criação. O audiovisual se torna, assim, o meio e com extrema elasticidade. Não há limites para o que é possível produzir. Novas experiências cinematográficas se expandem pelo mundo combinando talento humano e IA. As experiências imersivas sempre me seduziram e recentemente assisti a algumas, entre elas ao final da visita à Casa Batlló, obra de um gênio, o arquiteto Antoni Gaudí (1852-1926) em Barcelona. Conhecida como Cubo do Gaudí, oferece imersão completa no universo criativo do arquiteto espanhol, usando IA, realidade aumentada e efeitos de edição com projeções e mappings nas paredes, teto e piso. Obra do artista digital Refik Anadol.

Essas novidades geram reflexões: quem cria uma obra gerada por IA? O artista, o algoritmo, o conjunto de dados, ou a interação entre todos eles? A cultura passa a lidar com um dilema filosófico: o autor deixa de ser apenas o que executa e passa a ser o que dirige possibilidades, escolhe caminhos, edita resultados. A autoria torna-se curadoria, sensibilidade e intenção — não mais apenas técnica. A IA transforma a própria economia da cultura. Ela mexe em noções de direito autoral, em modelos de negócio do streaming, no custo de produção e no valor do trabalho criativo. Tal como a invenção da imprensa ou da fotografia, suas consequências se estendem muito além da tecnologia: elas atingem o tecido social, o mercado e a forma como a humanidade registra suas histórias. Existem opiniões bem contraditórias sobre o uso de IA entre artistas e essas discussões servem para ampliar a compreensão sobre o momento em que a sociedade se encontra. Está inaugurado um novo paradigma: uma era em que tecnologia e imaginação se fundem, criando ambientes narrativos e estéticos impossíveis de serem acessados antes. Essa maneira de lidar com a tecnologia torna-se o desafio presente em nossa vida, algo que coevolui conosco, que responde em tempo real aos nossos anseios, sugere e se transforma. E para quem cria, longe de ser substituído, graças à bagagem armazenada com anos de experiência, encontra nesse processo uma oportunidade rara: expandir o alcance de sua visão e reinventar a maneira como arte e significado são produzidos no mundo contemporâneo. Estamos vivendo um período de expansão de novos horizontes que não tem fronteiras. A gente se lê.